O TEMPO PASSA
O que acontece em Cuiabá é o descaso.
Ninguém em sã consciência pode determinar que obras essenciais precisam esperar
passar o período de chuvas para sofrer uma intervenção. É de se supor que alguém
acometido por um malefício grave, que ameaça a saúde e sua vida, precise
esperar um tempo indeterminado para que se administre a medicação. Assim é a
situação dos bairros cuiabanos. Não se ataca os problemas porque o alcaide está
protegido por uma cortina de fumaça, ou seja, usa como escudo o fato das
chuvas, ora das obras da Copa, ora privilegiando aqueles bairros onde o
pagamento do IPTU está com menor inadimplência, enfim critérios um tanto
estranhos e que dificilmente muitos daqueles que o apoiaram, certamente não
concordam. Tornou-se comum escutar a
ladainha de vereadores, inclusive, da base governista, apresentar as chamadas
indicações que, na verdade, são alerta direcionadas ao Executivo cuiabano sobre
situações de extrema necessidade. Ninguém quer mágica, mas o chamado Programa
Poeira Zero, onde foi implantado sem a drenagem, sem a colocação de rede de
captação de águas pluviais, aos poucos vai sendo tragado e isso motiva a que se
peça operação tapa buraco. Agora o alcaide com o dinheiro do obtido após
aprovação da Câmara Municipal que fazer quilômetros de asfalto, o que
convenhamos é muito bom. Todavia, será que será feita a drenagem das inúmeras
fontes perenes e aquelas intermitentes, antes de lançar a manta asfáltica? Cada
vez mais se tem espaços para a água infiltrar no solo, até as próprias calçadas
e quintais pavimentados contribuem para que o volume de água sobre o asfalto
seja cada vez maior. Ninguém quer, mas trata-se de questão de planejamento da
cidade. O crescimento e as construções são inevitáveis. Então é preciso de
ações pensadas. Lançar asfalto sem rede de coleta de águas pluviais, drenagem
dessas “minas” que brotam próximas a pista é tão insano quanto pedir que a
população tenha paciência. Olhe que estamos próximos a metade do mandato do
atual alcaide. Um ano já passou e estamos no terceiro mês do segundo. Tempo
suficiente para se conhecer a sua “eficiência”. Existem bairros que tem asfalto de mais de 30 anos, de boa qualidade e que resistem. Operação tapa buracos é paliativo. O que precisa é o reperfilamento daquela manta, mantendo as
qualidades e dando realmente mais efetividade a ação do Poder Público. Existem
bens públicos em situação de abandono e a população carente. São praças,
quadras esportivas, enfim, algo que poderia contribuir com a qualidade de vida
da população. Resta torcer para que a luz, a estrela, baixe sobre a cabeça do
alcaide e traga um pouco de inspiração. Afinal, eleitores ou não do alcaide,
todos, queremos uma cidade, um município cada vez melhor no atendimento de suas
finalidades, isto é, o bem-comum. Não me recordo, mas, alguém disse que o tempo
é o senhor da razão. E o tempo está dizendo o que significou para Cuiabá a
eleição do alcaide. Que não se espere mais um ano ou próximo a isso, para
antecedendo as eleições, pulverizar obras e ações, enquanto fazem pagar a
população manter-se crédula, de ajoelhada esperando que algo sobrenatural demova
o alcaide de seu estado catatônico.
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