domingo, 25 de novembro de 2012

Visionário ou ufanistas




Venho a partir de hoje discutir o que ocorrerá após a Copa do Mundo em Cuiabá e no Estado de Mato Grosso. Embriagados pelo som das obras ninguém se pergunta e depois? Tem curso de inglês para atender turista, tem isso e aquilo. Mas quanto tempo isso perdurará? E depois? No alarde da construção de obras vieram pessoas de diversas regiões do país. Estão cumprindo um papel fora de série, mas o serviço se encerra quando muito em 2014. Será que o volume de obras será capaz de absorver essa quantidade pessoas? Retornarão para seus estados de origem? Muitos constituíram famílias e precisarão de novos empregos. Não se pense apenas em obras. O boom imobiliário tornou o negócio de aluguel muito rentável. O preço subiu. Está estratosférico. Na economia em crescimento existem picos e, sem a pretensão de ser visionário, me parece que já foi atingido. Isso significa que alguns setores depois da Copa de 2014 passarão por um desaquecimento. O lado bom disso é a queda nos preços. O lado ruim é que junto com isso problemas sociais podem ser agravados. É curiosa a omissão do Poder Público Municipal de Cuiabá, principalmente, já que é o principal beneficiário. Nesse ínterim, pouco ou nada fez. Essa letargia ou incompetência pode refletir-se no futuro em problemas comuns ás cidades que não se prepararam adequadamente para o pós grandes eventos. O fluxo de pessoas se intensifica, a renda cai e atividades informais – muitas ilícitas – se transformam no meio de sobrevida das pessoas mais vulneráveis. Os ricos irão reclamar da violência, enquanto a classe de trabalhadores, de emprego e oportunidades. Os primeiros contratarão sistema de vigilância com câmeras, muros altos, segurança particular e serão protegidos em suas “mansões-prisões”, enquanto os mais fragilizados economicamente restará “fazer vistas grossas” e estabelecer “política de boa vizinhança” com aqueles que por algum motivo estão situados à margem. Os setores da economia mais organizados já estão preocupados com o pós Copa, mas, a grande maioria movida por sentimentos diversos e alimentada pela propaganda oficial, apenas conta os dias para que o grande evento aconteça. São estes últimos, porém, aqueles que mais necessitam de proteção e alcance de programas e projetos voltados a geração de oportunidade e renda, o que pode ser facilitado através da própria utilização dos espaços construídos, dentro de uma perspectiva de inserção deles como instrumentos de melhoria da qualidade de vida, com sua socialização e não a mera privatização e transferência da responsabilidade. A Copa ainda não aconteceu e quantas praças estão abandonadas ou sem utilização? Quantas quadras poliesportivas? Ginásio de esportes ou mini-estádio? Agora seria o momento de estarem tendo uma utilização intensa. A Copa está batendo à porta e a frota de ônibus, os pontos continuam com os mesmos problemas: superlotação, inadequados, inacessíveis. A Copa ainda nem aconteceu e não conseguimos apresentar uma solução ao crescimento do consumo de álcool, fumo e que serão também a porta de entrada para as drogas. Sem qualquer ufanismo, o momento atual é de grandes investimentos, mas, já se aproxima o nível de saturação e apenas com discussão, planejamento e participação popular poderemos enfrentar os dilemas que se avizinham.     

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